08/03/2015

Essa coisa de "literatura cômica"

Quando isso me ocorreu, acho que estava assistindo a algum filme de comédia, mas não tenho certeza.

Minha preferência é bem clara: eu gosto de drama. Isso frente aos opostos "tragédia x comédia". Só não sei o motivo dessa preferência.
Imagino que a experiência seja generalizada, quase sempre ouvimos falar que determinada obra, sendo comédia, é "menos" que outra direcionada ao drama, ou ainda, que uma comédia dramática é melhor que uma comédia romântica.

Ah, sim, foi quando terminei de ler "A Megera Domada", de Shakespeare. Fiquei durante dias me perguntando o motivo de "Romeu e Julieta", tragédia com acontecimentos macabros, ter mais "saída" que aquele em que a história dá certo, ao passo que ambas as histórias são belas, possuem um vocabulário vasto, há passagens cômicas, dentre várias características semelhantes.

Alguns poderiam questionar a "profundidade" do texto cômico. Sim, pois os mais tristes abordam melhor as particularidades do homem, enquanto a comédia é mais "fácil" de ser escrita. Não, isso não faz sentido, ainda mais quando pensamos em autores que falam de forma sublime sobre o caos, mas que também brilham utilizando as facetas humorísticas.

Pergunto-me ainda se os autores não se dedicariam tanto para "fazer rir", que acabariam se tornando superficiais. O humor de Philip Roth em Complexo de Portnoy, por exemplo: desconcertante, voluptuoso, ou, me arriscaria, quase sempre devasso. Seria este humor menos digno que o contido em outras obras suas, mesmo sendo um de seus best-sellers? Em algum momento o escárnio acerca da vida e de tudo o que envolveu Alexander Portnoy foi superficial? Outra hipótese sem sentido.

Não vou entrar no mérito da poesia, pois o assunto já se estende consideravelmente apenas no universo do romance.
Também não vou tentar entender o motivo das minhas preferências, ou das inclinações da maioria, vou me deter aos questionamentos, apenas, tendo em mente que eles dificilmente apresentariam uma resposta concreta.