21/10/2013

Entrevista com Rafaela Guimarães

Rafaela Guimarães é graduanda em Jornalismo e autora dos livros "Cordas Rompidas" e "Reencontros", pela Editora Baraúna. Com tramas que abordam relações afetivas interrompidas de diferentes formas, a autora conta sobre sua experiência, que já proporciona deleite.


Estante Insólita - Conte um pouco do seu trabalho e do enredo de seus livros.

Rafaela Guimarães - Meu primeiro livro foi lançado em 2011, “Cordas Rompidas”, em que se passa a história da Lizzie, que é uma personagem que, aos 16 anos, sofreu um acidente de carro, perdeu tudo, perdeu o namorado, perdeu os amigos e, dois anos depois, vai para a faculdade e se fecha em um “casulo”: ela acha que nunca vai ter de volta a vida que tinha antes, que ela não merece ter uma vida tão boa quanto a que ela teve com aquelas pessoas e ela não quer substituir aquelas pessoas. Em um dia fatídico, ela encontra Greg, que é o personagem principal da história e houve um erro no sistema: eles vão ter que dividir o dormitório. Ele é carinhoso com ela, uma pessoa legal e não entende por que ela é tão fechada com a vida. Ao mesmo tempo em que ela não quer mostrar o que aconteceu, ela se apaixona por ele e a história tem uma passagem de três anos em que acontecem reviravoltas. E “Reencontros” é, particularmente, um xodó meu. É a história de um músico britânico que tem o sonho de batalhar pela carreira e encontra a melhor amiga dele, dez anos depois, na internet. Ela está morando em Los Angeles e fala “Tenta a sorte aqui comigo em Los Angeles”, então ele vai para lá tentando o sonho de ser músico e os dois ficam em um conflito: eram amigos há anos, quase irmãos, as famílias eram muito unidas, mas ele era um típico “galinha”, aquele galanteador, aquele “cafa” que fica super apaixonado pela antiga irmã e não sabe lidar com a situação.

EI - Quais são as suas inspirações para escrever?

RG - Muita música. Acho que música é o que dá toda a base para escrever, gosto de pegar as que se encaixam nos momentos certos, uma letra, uma melodia, muito vídeo (Youtube), livros também e pesquiso as características dos personagens para ter uma base, porque eu gosto de deixar tudo linear para o leitor conseguir ver exatamente o que eu quero mostrar.

EI - Quais as dificuldades e facilidades para a publicação de seus livros?

RG - São mais dificuldades do que facilidades no meio literário, mas em 2011, a Editora Baraúna, de São Paulo, abraçou meus dois projetos. Sempre tem a dificuldade de não ter em todas as livrarias ou não ter em algumas livrarias físicas, sobre os valores, nós não temos o controle, porque as pessoas acham que o livro é caro porque é o autor que está colocando o preço, mas não tem nada a ver, nós não temos a disponibilidade para escolher o valor do próprio livro. Mas estou, oficialmente, no mercado há dois anos e as coisas estão mudando muito e para melhor para o autor nacional, principalmente porque o brasileiro está lendo autores nacionais, porque nós temos a mania de comprar tudo de fora, nesses dois anos melhorou muito e em uns cinco anos nós vamos ter muita melhoria neste meio, tanto que a gente está tendo foco para o autor nacional e não era assim. Na Bienal do Rio, por exemplo, tinha diversos autores nacionais, pessoas comparecendo, vibrando e você não se imagina neste papel.

EI - Como tem sido a aceitação do público?

RG - Quando a gente começa a escrever, não pensa no que vai acontecer. Eu comecei a escrever com 15 anos, publiquei pela primeira vez aos 18, mas não imaginei o que iria acontecer. Então, quando alguém diz “Eu estou apaixonada pelo Thomas ou pelo Greg”, é sempre como se fosse a primeira vez, porque quando alguém agradece e fala que o livro marcou a vida em algum momento, dá vontade de eu agradecer e isso não muda, podem me elogiar 30 mil vezes que todas elas serão sempre iguais. (Risos)

EI - Qual dos seus livros é o seu preferido e por quê?

RG - É a mesma coisa que falar “Qual seu filho favorito?”. “Reencontros” foi, oficialmente, meu segundo livro lançado, mas foi o primeiro que eu escrevi. Particularmente, eu sou apaixonada pelos dois, mas o Greg é mais calmo, é aquele que vai querer te entender, vai procurar o que está acontecendo com você. O Thomas é aquele sarcástico que vai falar “Para com isso!”, vai te dar um tapinha nas costas, um peteleco na orelha - ele faz muito isso no livro -, então os dois são muito diferente para que eu fale “Prefiro este!”,  porque cada um tem sua característica que me chama atenção.

EI - O que você está escrevendo atualmente?

RG - A minha cabeça não para: eu tenho escrito a continuação de Reencontros,  estou escrevendo uma trilogia sobrenatural, que se chama “Trilogia do Espetáculo”, estou escrevendo um livro que é uma “continuação” de Cordas Rompidas, porque uma amiga minha disse: “Você tem que escrever uma continuação”, mas os personagens já fecharam a história, então estou escrevendo, mas não a continuação de Lizzie e Greg, é a filha de Lizzie e Greg , estou escrevendo mais um também que se chama “Torniquete”, que está bem no início, e a gente vai tendo um monte de ideias e estou escrevendo vários livros ao mesmo tempo. (Risos)



http://www.livrocordasrompidas.blogspot.com.br/