06/11/2013

Entrevista com Laura Conrado

Laura Conrado é autora dos livros "Miguel e o Pão dos Anjos" (Editora Santuário), "Lendo com o Papai e a Mamãe" (Editora Mãe da Igreja), "Freud, Me Tira Dessa!" (Novo Século) e "Só Gosto de Cara Errado" (Novo Século), sendo, este último, o primeiro volume da série "Freud, Me Tira Dessa!" para adolescentes.
A autora recebeu, com o livro "Freud, Me Tira Dessa!", o Prêmio Jovem Brasileiro como destaque na Literatura e o de melhor chick-lit nacional no Destaques Literários 2012. É é jornalista, com pós-graduação em Educação, Criatividade e Tecnologia, mas dedica seu tempo integralmente à escrita.

Estante Insólita - Quais as maiores dificuldades passadas por você para a publicação de seus livros?

Laura Conrado - A primeira foi conseguir editora. Não é um processo fácil, é um mercado restrito, fechado, onde tem que ter muita dedicação, muito investimento, saber apresentar o seu livro, saber um pouco de marketing pessoal para chegar a uma editora. Agora, o grande lance é depois que você publica, o trabalho começa aí, porque há uma série de livros no mercado, nas livrarias e é preciso mostrar os seus livros para os leitores, as pessoas precisam descobrir o seu título, então é um trabalho grande de divulgação e, até digo, a gente não tem ser criativo só na hora de escrever o livro, mas também na hora de divulgá-lo. O ”x” da questão é esse: divulgar e tornar o seu título popular.

EI - Você poderia traçar o perfil de Priscilla, a personagem principal de Só Gosto de Cara Errado?

LC - A Pri é uma menina como qualquer outra adolescente com sonhos, quer arrumar um namorado, natural como qualquer menina, mas não consegue e ela tem uma personalidade que vai sendo moldada a partir dos relacionamentos: ela se esforça muito para agradar o outro, encontra “sapos” no meio do caminho, engole alguns “sapos” e, com isso, ela não diz o que sente, se reprime, acha que tem que ser perfeitinha para ser amada, tem essa ideia de que ser amada tem a ver com merecimento. Eu criei esta personagem me baseando nas adolescentes que eu conheço, na minha própria adolescência, um pouco do que eu vivi e em algumas amigas minhas e quis trabalhar isso, essa necessidade que a gente tem de ser amada e de se adequar ao desejo do outro, ao que a gente acha que o outro pensa da gente. E assim nasceu a Priscilla, uma menina que tem tudo para estar com o cara certo, mas só gosta de cara errado.

EI - Se pudesse trocar algo de alguma história dos livros já publicados, você trocaria? Por quê?

LC - Não, até hoje, não. Claro, quando a gente pega alguma coisa para ler, acha que poderia ter feito um pouco melhor, mas é uma questão de texto, de profissionalismo, a tendência é de evolução. Todo mundo, quando pega um trabalho antigo, quer corrigir, melhorar alguma coisa. O bom de ser escritora é que, caso haja a continuação de um livro, e houve uma “bola fora” no primeiro, tem como consertar, porque a gente pode criar, já na vida real a gente até tem uma segunda chance para os erros, mas não é assim. Até hoje eu não mudaria nada, porque, no livro, nós somos os donos da história.

EI - Houve a necessidade de você buscar diretamente na psicologia determinados assuntos para desenvolvê-los na série “Freud, Me Tira Dessa!”?

LC - Eu não sou psicóloga, então o livro não é muito técnico e acho que, por isso, cativa as pessoas, porque é o ponto de vista do paciente, mas eu estudo muito, eu me preparo para não falar bobagem nos meus livros. Em “Freud, Me Tira Dessa”, quando a Catarina parte para o analista, eu fui ler, realmente, conceitos de Transferência, me baseei no meu processo psicanalítico também, porque eu fiz terapia durante muito tempo. Quando eu me propus a fazer a série adolescente, eu estudei muito de Teoria do Desenvolvimento do Adolescente, para entender como funcionava, o amadurecimento mesmo e, a partir disso, fui colocando algumas experiências, criando histórias, então eu tenho muito esse cuidado de não falar bobagem, primeiramente pelo esmero com o trabalho, principalmente com o público adolescente que é um público em formação, então quero transmitir tudo certinho e ao participar de eventos, como a FLIVA, não fazer feio. (Risos)

EI - Em qual dos livros houve maior complexidade para caracterização das personagens ou desenvolvimento da história?

LC - “Freud, Me Tira Dessa”, porque eu acabei criando uma série de coisas para a Catarina, minha personagem, problemas com a mãe, o público é um pouco mais velho e ela é uma pessoa um pouco mais complexa, com vinte e tantos anos, que está tornando-se adulta. Acho que foi mais difícil criar este cenário para a Catarina, criar o problema e tirá-la dessa, assim como no livro 2, a continuação da Catarina, os leitores pedem muito e vai sair em março do ano que vem, então também estou tendo esta dificuldade em deixa-la mais adulta, em amadurecer a personagem. A série adolescente também tem os devidos cuidados, mas foi mais tranquilo de ser escrito, talvez porque eu já tenha vivido esta fase.


http://www.lauraconrado.com.br/