13/07/2013

O que estou lendo e o dia do Rock

Atualmente estou lendo 3 livros: Dragão Vermelho (Thomas Harris), A Caixa Preta (Amós Oz) e Duna (Frank Herbert). Pretendo escrever algo sobre os dois primeiros, mas este texto é sobre o último e sua relação com o dia do Rock.

Duna é o primeiro livro da saga de ficção científica que tem Paul Atreides, filho do Duque Leto, como personagem principal e, neste, ele é herdeiro do legado da casa Atreides e alguns spoilers a mais.

Já nas primeiras páginas encontra-se o jovem sendo preparado para sua partida do Castelo Caladan (morada dos Atreides) rumo ao planeta Arrakis, único do Imperium que possui a especiaria Mélange e é pobre e desértico, características que levam a tratar de problemas com água potável e monopólio das fontes de energia. Antes de ser levado até o planeta deserto, Paul passa por um "teste" com um objeto chamado Gom Jabbar, objetivando a busca por "humanos", já que no passado estes cederam à tecnologia e foram escravizados por outros humanos que tinham condições de a controlar.

O Mélange é uma especiaria com "características geriátricas", ou seja, age no envelhecimento e provoca dependência de acordo com o consumo. O sol de Arrakis é branco, pouco suave, agressivo aos habitantes e à qualquer vegetação, por isso o deserto.

Por eu estar no início do livro (página 80 e alguma coisa) ainda não houve uma única trama bem desenvolvida, pois o enredo é rico e demanda mais aprofundamento para compreendê-lo. Por ora, há indícios de certos assuntos, mas já foram abordados traições por questões pessoais e políticas, monopólio de recursos, capital e informações, injustiça e desigualdade social, busca incessante pelo poder, entre outros, e todos se afastam do lógico e do superficial: o conteúdo filosófico é fortemente empregado.




O dia do Rock (13/07)

Este blog levanta a bandeira do Rock n' Roll sem medo de ser feliz, sendo assim, a inspiração para ler este livro veio após a procura sobre a letra de uma música fantástica chamada To Tame a Land, da banda Iron Maiden, de Heavy Metal.

Tal letra foi baseada no Duna e sua sonoridade remete (ao menos, me remete) ao ambiente deserto com maestria. Até mesmo músicos que não gostam do estilo musical apreciam a banda pela qualidade das composições, das técnicas bem executadas.

A proposta em relacionar estas duas obras é a seguinte: escuta-se muitas pessoas comentando que não gostam de Rock N' Roll devido à suposta "gritaria inerente ao estilo", ao não entendimento do que é tocado ou cantado e à falta de conteúdo apresentado, porém a banda citada não é a única a basear-se em um livro (ou em fatos históricos, ou em filosofia, ou na busca por direitos e melhoria da qualidade de vida...) para escrever música e então há uma contradição notável.

Na visão de vários fãs, este não é um estilo distante da boa arte, o que há é um conceito errôneo por parte da população em geral que, por sua vez deixa de dar oportunidade à arte vinda de toda e qualquer direção.

Concluindo, antes de finalizar o livro Duna, é possível interpretar seu conteúdo e julgá-lo como, ao menos, inteligente, já que trata de assuntos que abordam atitudes dos seres humanos frente à sociedade, ao capitalismo, à toda forma de escassez, etc. Quanto ao Rock N' Roll, aquela velha frase "eu não entendo nada que essa banda canta", com suas exceções, é apenas uma demonstração cultural do pouco contato com a música.

Letra: To Tame  a Land - Iron Maiden