03/07/2016

O Pêndulo de Foucault - Umberto Eco

"Naquele momento, às quatro da tarde de 23 de junho, o Pêndulo amortecia a própria velocidade numa extremidade do plano de oscilação, para recair indolente em direção ao centro, readquirir velocidade a meio do percurso e desferir seus golpes de sabre confidentes no quadrado oculto das forças que o destino lhe apontava."


No ano de falecimento de uma das maiores representações intelectuais contemporâneas da Itália, o autor Umberto Eco, a editora Record dispõe ao relançamento alguns de seus maiores clássicos. O Pêndulo de Foucault, de que se trata o presente texto, é um calhamaço de 670 páginas, publicado originalmente em 1988.

Além do título do livro de Eco, o Pêndulo de Foucault consiste em um experimento que demonstra a rotação da terra. Longe de ser um simples objeto suspenso, ele gira com o passar do tempo, mudando sua direção em relação ao plano vertical, único considerado nos pêndulos usualmente conhecidos. Esse "giro" ocorrido, na verdade, é a Terra em sua rotação.

O enredo é iniciado com um homem se escondendo em um museu (posteriormente, descobre-se que é Casaubon na França) e os primeiros parágrafos do livro tratam da anatomia do pêndulo descrito. O leitor não é poupado de um início difícil, pois Eco abrange conceitos matemáticos e físicos, volta às fórmulas utilizadas para reconhecer que o movimento não sofreu interferência externa, senão da resistência do ar e da gravidade. Essa linguagem apurada se dá, ainda, pela inserção de termos do ocultismo, bastante recorrente no livro.

Os personagens envolvidos são Casaubon, Belbo e Diotallevi, redatores de uma editora italiana. Casaubon recebe a ligação de Belbo, notoriamente intimidado, confirmando o segredo acerca da ordem religiosa Rosa-Cruz, com origem secular. O texto é narrado por Casaubon em primeira pessoa, excessivamente descritivo (ênfase no conhecimento do autor).

Ao total, são 10 capítulos, que remetem à árvore da vida segundo a Cabala, seguindo um princípio incompreensível à inteligência humana.

(Árvore sefirótica, de Cesare Evola, 1589)

Cada capítulo tem sua relação com o título e cada título, um significado vinculado ao ocultismo. Por exemplo, o primeiro capítulo, Keter, coroa em hebraico, é a essência, o início da "criação", da manifestação da vida e do que mais estiver envolvido e, na obra, a gênese do mistério: o pêndulo. As divisões seguintes também seguem o direcionamento, referindo-se à sabedoria, entendimento, misericórdia, entre outros.
A obra, apesar de longa, é boa. O sentido enigmático relembra O Nome da Rosa, com comparações ao sucessor Dan Brown, em O Código Da Vinci. O tempo e espaço tem um período de latência para serem dispostos, assim como a revelação de identidades. Talvez Umberto Eco tenha usado muito do detalhamento estético, e a relevância para a história em si tenha sido sutilmente tangenciada, entretanto, é inegável que o autor elevou esta vertente do romance a um patamar anteriormente desconhecido.


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