25/09/2016

O Vento da Noite - Emily Brontë

"E onde, sozinhos nos montes e cobertos pelos gelos,
Os que eu amei outrora
Jazem.
E tenho o coração sufocado por um morno desespero;
Em vão me consumo em murmúrios e queixas,
Pois sei que nunca mais voltarei a vê-los!"


Emily Brontë também escrevia poesias. E brilhantemente. A autora viu poucos de seus versos publicados em vida, já que a maioria foi organizada postumamente por uma de suas talentosas irmãs. 
Influenciada por sombra e névoa, Brontë escreveu sobre temas pesados (em verso e prosa) e, nesse livro em especial, concedeu seu toque gracioso e impactante ao infortúnio que a angustiava.

A primeira edição de O Vento da Noite chegou ao Brasil na década de 1940, trazida pela José Olympio e traduzida por Lúcio Cardoso. Também contava com os 33 poemas, além da capa dura. Nesta edição de 2016, pela Civilização Brasileira, a versão é bilíngue, em brochura apenas, possui algumas considerações do organizador e uma breve nota de Lúcio Cardoso (contida em ambas as versões).



Em seus versos, Emily segue, quase sempre, a estrutura de 4 linhas por estrofe, entretanto, blocos maiores podem ser observados, vez ou outra. A autora dá uma alma feminina às poesias (opinião minha aqui), apresentadas na versão original. Já Lúcio Cardoso faz modificações, insere títulos, nem sempre segue métrica, rima, ou palavras ao pé da letra, talvez influenciado pelo Modernismo, ao passo que traduzia o período Romântico. As palavras de Emily podem soar contidas se comparadas às de Lúcio.

A Civilização Brasileira tem reeditado obras que Lúcio traduziu, como Drácula e Orgulho e Preconceito. É frisado na contracapa, na orelha do livro, nas notas do organizador, na sinopse e em todo lugar, o brilhantismo do brasileiro - que chegou a completar 16 traduções no período de 10 anos - e o cuidado com seu material.

O tradutor, que também tem produções autorais, se destaca na reprodução da obra no idioma Português, contudo, o fato de a edição ser bilíngue aprimora a experiência do contato direto com Emily Brontë. Por fim, em uma leitura rápida e prazerosa, é possível entrar no mundo "noturno" da autora e enfrentar o sofrimento de poucos anos de vida imortalizado em poesia.